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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

COMUNICAÇÃO ATUAL: PENSEMOS...

COMUNICAÇÃO/EDUCAÇÃO: A ATUALIDADE DO TEMA
Grácia Lopes Lima
*
Que a educação formal praticada nas instituições oficiais está em descompasso com a vida
que se leva fora do âmbito da escola e que ela tampouco vem conseguindo ser atraente
para seus alunos já não é mais novidade para ninguém. Pichações, olhares agressivos, falas
arrogantes, descaso, desinteresse pelo que diz grande parte dos professores em sala de
aula, são fatos que denunciam insatisfação, rejeição mesmo do instituído.
Ocorre que não são os estudantes os únicos a se sentirem desconfortáveis... Falas e ações
de um considerável número de professores revelam que, da mesma forma, eles não estão
gostando do tipo de ensino que acontece todo dia na escola. As conversas que mantêm na
sala dos professores mostram que mal estão suportando o trabalho diário. Também eles
estão cansados, insatisfeitos, irritados. Talvez não pichem paredes, mas agridem de outras
formas: com os olhos, com falas prepotentes e rudes ou com apatia, displicência, descaso...
Exagero? Característica exclusiva de um tipo de escola?
Não. Mudam os nomes e os lugares, mas a história quase sempre é a mesma: quer pública
ou particular, a maioria dos habitantes das escolas vive ainda hoje um clima de
descontentamento geral. E o desgosto não brota da revolta contra a precariedade das
instalações ou da possível carência de recursos e materiais didáticos. A raiva se inscreve na
arquitetura da escola, é descontada no patrimônio público, mas seguramente nasce em
outro lugar. Para Pichon Riviere, psicólogo social, “aquilo que o homem tem de mais
primitivo e mais característico é a sua necessidade imperiosa de estar em permanente
comunicação com as outras pessoas. Poderíamos dizer que até inventa os sonhos para
poder se comunicar de noite e evitar, desse modo, o sentimento de estar ‘incomunicado’.
Sente necessidade de criar personagens para poder se comunicar e viver seus dramas
durante a noite de um modo mais ou menos controlado e administrado por ele. Só
fracassaria nos pesadelos. Quando perde a comunicação com o grupo aparece o sentimento
de solidão e desamparo (...)”
1
* Grácia Lopes Lima é professora, psicopedagoga, coordenadora do projeto "Cala-boca já morreu -
porque nós também temos o que dizer!" e pesquisadora do NCE/ECA/USP.
1
PICHON-RIVIÈRE, Enrique. Teoria do Vínculo. São Paulo, Martins Fontes, 1991.
www.portalgens.com.br

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